As Dolomitas estão lotadas demais? Não. Lotados estão, sobretudo, alguns lugares das Dolomitas.
Basta afastar-se das fotografias vistas milhões de vezes nas redes sociais para reencontrar vales silenciosos, montanhas imponentes, pequenas aldeias e panoramas capazes de surpreender tanto quanto os destinos mais famosos.
Se você procura Dolomitas sem multidões, alternativas aos lugares mais visitados ou simplesmente um jeito diferente de conhecer as montanhas de Belluno, esta viagem é para você.
As Tre Cime di Lavaredo, o Lago di Braies, o Passo Giau, a Seceda e outros lugares-símbolo das Dolomitas conquistaram o mundo. São cenários magníficos e merecem sua fama. Mas a crescente concentração de visitantes, sobretudo nas semanas centrais do verão europeu, tem levado cada vez mais a falar de overtourism nas Dolomitas.
O risco, porém, é confundir uma parte com o todo.
Porque assim que se muda de vale, se pega uma estrada menos conhecida ou se decide dedicar alguns dias a mais à descoberta do território, aparece outra montanha: a dos bosques, das aldeias, das pastagens de altitude, dos riachos e dos grandes espaços.
A verdadeira alternativa ao overtourism não é renunciar às Dolomitas. É descobrir mais Dolomitas.
Aqui estão 10 lugares das Dolomitas de Belluno fora das rotas turísticas mais batidas, para conhecer com calma e respeito.
O Valle di San Lucano nas Dolomitas de Belluno perto de Agordo (Foto: Fondazione DMO Dolomiti Bellunesi)
01 — Agordino
Valle di San Lucano: uma catedral natural no coração do Agordino
Há lugares que não precisam de atrações construídas pelo homem porque a paisagem inteira já parece um monumento. O Valle di San Lucano, no território de Taibon Agordino, é um deles.
A estrada entra progressivamente num vale dominado por paredes gigantescas. As Pale di San Lucano se erguem dos dois lados do fundo do vale, enquanto bosques, prados e pequenos núcleos habitados devolvem a imagem de uma montanha ainda profundamente ligada ao próprio território.
É difícil chegar aqui pela primeira vez sem se perguntar por que uma paisagem tão grandiosa não é tão famosa no mundo quanto outros ícones dolomíticos.
Por que ir
Pela sensação de imensidão, pela fotografia de paisagem e para descobrir um dos cenários mais poderosos das Dolomitas de Belluno menos conhecidas.
02 — Feltrino
Val Canzoi: entrar no lado mais selvagem das Dolomitas de Belluno
A poucos quilômetros de Feltre a paisagem muda completamente. A estrada, a partir de Soranzen, sobe até o Val Canzoi e conduz a um dos ambientes mais sugestivos do Parque Nacional das Dolomitas de Belluno.
Aqui o protagonista não é o mirante isolado para fotografar. É o ambiente no seu conjunto. Bosques, riachos, paredes de montanha e trilhas contam uma Dolomita mais verde, mais íntima e muitas vezes surpreendentemente silenciosa.
É uma zona ideal para quem gosta de caminhar e quer transformar a excursão de simples “lugar para ver” em verdadeira experiência.
Por que ir
Para descobrir as Dolomitas longe do turismo de massa, caminhar no parque nacional e combinar o dia com uma visita a Feltre e ao seu centro histórico.
O lago do Val Canzoi em Cesiomaggiore (Foto: Visitdolomitibellunesi.com)
O Lago del Mis em Sospirolo (Foto: Fondazione DMO Dolomiti Bellunesi)
03 — Dolomitas de Belluno
Valle del Mis: água, rocha e natureza selvagem
Se no imaginário comum as Dolomitas significam sobretudo agulhas e paredes verticais, o Valle del Mis conta um rosto diferente da montanha bellunesa.
O lago, os riachos, as cachoeiras e as formas escavadas na rocha criam um ambiente quase primordial, fechado entre montanhas cobertas de bosque.
Ali perto estão os Cadini del Brenton, uma sequência de marmitas de gigante turquesa a poucos minutos a pé da estrada.
Por que ir
Para unir montanha e água, passar um dia na natureza e conhecer uma das portas mais fascinantes do Parque Nacional das Dolomitas de Belluno. Mais sobre este e outros nove espelhos d’água no nosso guia sobre os lagos das Dolomitas de Belluno.
Outro jeito de viajar
“Não procure o ponto exato da fotografia. Procure o lugar onde dá vontade de ficar.”
04 — Sovramonte e Pedavena
Monte Avena: a sacada sobre as Dolomitas por onde muitos passam sem conhecer
O Monte Avena é um daqueles lugares capazes de surpreender justamente porque costuma ficar fora dos itinerários mais conhecidos.
Daqui de cima o olhar percorre as montanhas do Feltrino e o território ao redor, enquanto prados e pastagens criam uma paisagem completamente diferente das paredes rochosas das Dolomitas mais célebres.
Pertinho, no Passo Croce d’Aune, no município de Sovramonte, fica um dos lugares-símbolo da história do ciclismo mundial: foi aqui, em 1927, que nasceu a intuição de Tullio Campagnolo que levaria ao blocagem rápida das rodas.
Por que ir
Pelos panoramas, pelas caminhadas, pelos voos com a escola de parapente de Feltre e para viver umas férias nas Dolomitas longe da multidão.
Uma decolagem de parapente do Monte Avena (Foto: Scuola Parapendio Feltre)
Vista panorâmica de Lamon e do Monte Coppolo
05 — Feltrino
Lamon: a aldeia que conta uma montanha ainda habitada
Nem toda experiência nas Dolomitas precisa começar num estacionamento e terminar no cume de uma montanha. Às vezes basta entrar numa aldeia.
Lamon permite conhecer uma dimensão das Dolomitas feita de história, agricultura, cozinha e vida cotidiana. É o território do célebre feijão de Lamon, mas também uma base interessante para passeios e itinerários pelo Feltrino.
Por que ir
Pela paisagem rural, pela gastronomia e por uma autêntica experiência de turismo lento nas Dolomitas.
06 — Comelico
Val Visdende: onde a estrada acaba e começa o silêncio
O Val Visdende demonstra que não é preciso perseguir um lugar que viralizou para se encontrar diante de uma paisagem memorável.
Bosques, pastagens e as montanhas do Comelico formam um grande anfiteatro natural que convida a caminhar, observar e desacelerar.
Por que ir
Pelas caminhadas, pelos grandes prados alpinos e para responder à pergunta: para onde ir nas Dolomitas para evitar os lugares mais lotados?
Val Visdende no Comelico – Dolomitas de Belluno
Alpago, o Lago di Santa Croce e as montanhas bellunesas (Foto: Alpago Club)
07 — Alpago
Alpago: montanhas e lago numa das paisagens mais surpreendentes do Bellunese
O Alpago une montanhas, bosques, pequenas aldeias e o grande espaço do Lago di Santa Croce.
Atrás dele erguem-se as montanhas do Alpago, enquanto não muito longe se estende a floresta do Cansiglio. É uma zona ideal para quem procura férias variadas entre caminhadas, bicicleta, esportes ao ar livre, gastronomia e natureza.
Por que ir
Para descobrir um lado das Dolomitas de Belluno fora dos itinerários de sempre, onde lago, montanha e floresta convivem a poucos quilômetros de distância.
08 — Belluno
Nevegal e Col Visentin: olhar as Dolomitas do terraço de Belluno
O Nevegal e a crista em direção ao Col Visentin oferecem um dos panoramas mais amplos sobre o Valbelluna e as montanhas ao redor.
É também a ocasião perfeita para montar um itinerário diferente da estada exclusivamente alpina: manhã na montanha e tarde pelas ruas do centro histórico de Belluno.
Por que ir
Pelo panorama e porque demonstra que umas férias nas Dolomitas podem unir facilmente natureza, cultura e cidade.
Nevegal e Col Visentin, panorama sobre as Dolomitas e Belluno (Foto: Adorable Belluno)
Sítio mineiro do Valle Imperina – Rivamonte Agordino (Foto: Fondo per l’Ambiente Italiano)
09 — Agordino
Valle Imperina: onde as Dolomitas também contam sua história
As montanhas não são apenas panoramas. Por séculos significaram trabalho, minas, bosques, água, comércio e comunidade.
O Valle Imperina, às portas do Agordino, com seu centro mineiro, conserva uma parte importante dessa memória e permite compreender o território além da sua imagem turística.
Por que ir
Para descobrir a história das Dolomitas e compreender que o patrimônio bellunese não termina nos cumes.
10 — Comelico
Danta di Cadore: o prazer de chegar a uma aldeia longe dos grandes fluxos
Danta di Cadore oferece o que muitos viajantes voltaram a procurar: uma pequena aldeia de montanha, uma paisagem autêntica e a possibilidade de sair a descobrir o território sem estar necessariamente no meio dos grandes fluxos turísticos.
No Comelico viajar ainda pode significar caminhar entre aldeias, bosques e montanhas, conhecer as tradições e deixar espaço também para o imprevisto.
Por que ir
Para conhecer um Cadore diferente dos lugares mais famosos e transformar a busca pelas Dolomitas secretas na descoberta de um território real.
Danta di Cadore – a igrejinha de Santa Barbara na neve (Foto: Município de Danta di Cadore)
As Dolomitas estão mesmo lotadas demais?
Quando vemos fotos de longas filas nas Tre Cime di Lavaredo ou ouvimos falar de overtourism nas Dolomitas, é fácil concluir que o território inteiro está congestionado.
Na realidade os fluxos costumam estar fortemente concentrados nos mesmos lugares e nos mesmos momentos. Milhares de pessoas procuram a mesma fotografia, percorrem a mesma trilha e chegam ao mesmo estacionamento nas mesmas horas.
A solução não é encontrar novos lugares para transformar nos próximos destinos de massa, mas distribuir o turismo, desacelerar e conhecer mais território.
Tre Cime lotadas demais? Mude a pergunta!
A pergunta mais comum é: “Qual é o lugar mais bonito das Dolomitas?”
Mas talvez devêssemos começar a perguntar: “Que parte das Dolomitas eu quero realmente conhecer?”
Se quiser ver as Tre Cime di Lavaredo, veja. É uma das paisagens mais extraordinárias dos Alpes. Mas não transforme umas férias nas Dolomitas numa corrida entre cinco fotografias já vistas online.
Dedique pelo menos um dia a um vale que você não conhecia. Pare numa aldeia. Entre numa loja. Coma o que é produzido no território. Faça uma caminhada sem ter como único objetivo um “spot de Instagram”.
Se todo mundo procura as mesmas Dolomitas, tente procurar as suas.
Quando visitar as Dolomitas para encontrar menos gente
A escolha do lugar é importante, mas a do período também.
As semanas centrais de agosto tendem naturalmente a concentrar uma parcela importante dos visitantes. Quando as condições meteorológicas e os serviços permitem, junho, setembro e o início do outono europeu podem oferecer um jeito diferente de viver a montanha.
Mesmo na alta temporada é possível reduzir a pressão escolhendo destinos menos conhecidos, evitando os horários de maior afluência e ficando alguns dias a mais na mesma zona em vez de se deslocar continuamente entre as atrações mais famosas.
Dolomitas sem multidões: não um destino, mas um jeito de viajar
Talvez as Dolomitas sem overtourism não sejam um ponto preciso no mapa.
São um jeito de viajar.
Significa escolher uma estrada secundária em vez de perseguir necessariamente a mais famosa. Ficar duas noites em vez de parar duas horas. Conversar com quem mora aqui. Descobrir o que há atrás de uma montanha e não apenas à frente.
Significa também lembrar que as Dolomitas não são um parque de diversões natural, mas um território habitado, frágil e extraordinariamente complexo.
Valle di San Lucano, Val Canzoi, Valle del Mis, Monte Avena, Lamon, Val Visdende, Alpago, Nevegal, Valle Imperina e Danta di Cadore são apenas dez exemplos. Há muitos outros. E é justamente essa a boa notícia.
Perguntas frequentes sobre as Dolomitas sem overtourism
Para onde ir nas Dolomitas para evitar a multidão?
No Bellunese existem inúmeras alternativas aos lugares mais visitados: Valle di San Lucano, Val Canzoi, Valle del Mis, Monte Avena, Lamon, Val Visdende, Alpago, Nevegal, Valle Imperina e muitas zonas do Comelico.
Existem Dolomitas pouco lotadas?
Sim. Os visitantes se concentram sobretudo nos lugares mais célebres, enquanto inúmeros vales e montanhas bellunesas mantêm uma frequência bem mais contida.
Quais são as alternativas às Tre Cime di Lavaredo?
Não é preciso procurar uma cópia das Tre Cime. Valle di San Lucano, Val Visdende, Alpago, Val Canzoi e muitas outras zonas oferecem cenários completamente diferentes e igualmente impressionantes.
Qual é a melhor época para visitar as Dolomitas sem multidão?
Junho, setembro e o início do outono europeu costumam ter menos gente que as semanas centrais de agosto, sempre verificando clima, acessibilidade e abertura dos serviços.
Como visitar as Dolomitas de forma mais sustentável?
Ficar mais dias no mesmo território, escolher hospedagens e produtos locais, usar o transporte público quando disponível, respeitar as trilhas e distribuir as visitas entre lugares diferentes ajuda a reduzir a pressão sobre os pontos mais frágeis.